As rãs de cristal

Membros internos visíveis nestas rãs transparentes

Existem alguns anfíbios chamados Centrolenidae cuja principal característica é a sua coloração dorsal verde claro e uma pela ventral transparente fazendo com que alguns órgãos internos, incluindo o coração, fígado, estômago e intestinos fiquem visíveis através da pele.

Isso só acontece em algumas espécies desta família, como Hyalinobatrachium, Teratohyla e Vitreorana. Por isso, popularmente, são conhecidos como rãs de vidro.


Fonte

Originárias da América do Sul, esta curiosa espécie de rãs distribui-se desde o sul do México até à Bolívia, com algumas espécies ao longo das bacias dos rios Amazonas e Orinoco, do maciço das Guianas, da região sudeste do Brasil e norte da Argentina, além de toda a Colômbia.

Vivem nos ramos e folhas de certas árvores perto de correntes de águas rápidas, claras, frias e bem oxigenadas. Estes animais nocturnos permanecem camuflados durante o dia no meio das folhas graças à sua cor, alimentando-se de insectos.

Pequenas em tamanho, de 3 a 7,5 cm, têm uma coloração absolutamente fascinante: em tons de verde com pequenas manchas amarelas na área dorsal, mas, o mais impressionante é a sua região ventral translúcida, através da qual podem-se observar os seus órgãos internos e ossos (também verdes).


Fonte

No momento da reprodução, o macho emite um apito para atrair as fêmeas; nesta época tornam-se muito territoriais e agressivos em relação aos outros machos. A fêmea deposita os ovos, cerca 25 a 40, nas folhas das árvores e arbustos encontrados sobre alguma corrente de água e vai embora. É então que o macho põe em marcha a chamada “nidificação hídrica”, que consiste em fornecer a humidade necessária aos ovos, vigiando-os 24 horas por dia e protegendo-os de possíveis predadores.

Após a eclosão, os girinos, alongados, com poderosas caudas, barbatanas finas e adaptadas para viverem enterrados no fundo de ribeiros de água corrente, caem à água onde terminam o seu desenvolvimento.

Na taxiologia mais recente, as rãs de cristal são divididas em duas sub-famílias e 12 géneros descobertos até ao presente, tratando-se de uma espécie em perigo de extinção pela contaminação das águas e a destruição do habitat devido à desflorestação.

Deixar um comentário