A origem dos cães

Lobos domesticados ou devido à mudança de dieta?

Não há  muito tempo atrás, a ideia generalizada era que os cães vieram da domesticação dos lobos por caçadores há milhares de anos. Mas, um estudo recente sobre a adaptação e domesticação dos cães publicado na revista Nature, realizado por Erik Axelsson, do Departamento de Bioquímica Médica e Microbiologia da Universidade de Uppsala, na Suécia, e de outros pesquisadores dos EUA, apresenta-nos uma nova hipótese.

A pesquisa de Axelsson e da sua equipa afirma que a razão pela qual os lobos foram atraídos pelos primeiros povoados humanos foi a busca de comida no lixo. Axelsson afirma que a mudança de alimentação foi o primeiro passo na domesticação dos lobos.

Os lobos selvagens começaram a alimentar-se de hidratos de carbono (cereais e féculas) das quintas desenvolvendo o seu sistema digestivo e abandonando, com o tempo, a sua dieta estritamente carnívora. Os lobos mais famintos roubavam os detritos acumulados nas quintas e fazendas dos agricultores para alimentarem-se, o que acabou por se transformar num hábito que, aos poucos e poucos, aproximou-os dos humanos. Tal facto acabou por criar uma dependência deles pelos humanos e por alterar o seu código genético até chegar aos cães actuais. Isso terá acontecido dez mil anos atrás, quando a agricultura foi desenvolvida, de acordo com as evidências arqueológicas.

Apesar de ter sido encontrado restos de um cão domesticado com 33 mil anos, na Sibéria, e de, anteriormente,  terem sido encontrados vestígios de cães-lobo no oeste da Rússia de há 19 mil anos atrás, ainda é impossível precisar o tempo exacto em que o lobo evoluiu até chegar a cão, por muito que se investigue a sua origem.

Existem muitas teorias sobre como começou a domesticar-se os lobos selvagens. Uma delas argumenta que os caçadores usavam os lobos para ajudar a apanhar as suas presas, tornando-os cada vez mais dóceis. Outra teoria aponta para o facto de que os cães, assim como os humanos, terem actividade diurna, pelo que durante a sua co-existência, terão partilhado a companhia um do outro.

Mas, até ao dia de hoje, apesar deste estudo abrir uma nova via de investigação, ainda subsistem dúvidas sobre a evolução do cão até aos nossos dias.

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